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Reflexão

A terceira parte da vida

Ilustração da reflexão A terceira parte da vida

Talvez a vida tenha três partes.

E o mais triste é que muita gente morre na segunda.

Na primeira parte, você aprende.

Aprende com seus pais, com seus professores, com os amigos, com os livros, com quem te ama e até com quem te machuca.

Aprende errando.

Aprende observando.

Aprende quebrando a cara.

Durante muito tempo, você vive do que o mundo deposita em você.

Conhecimento.

Valores.

Referências.

Conselhos.

Oportunidades.

Até que chega a segunda parte.

A fase em que você começa a receber.

Recebe dinheiro.

Reconhecimento.

Responsabilidade.

Influência.

Amor.

Confiança.

Oportunidades maiores.

É quando aquilo que você aprendeu começa, de alguma forma, a voltar para você.

Você constrói sua carreira.

Sua família.

Seu patrimônio.

Seu nome.

Sua reputação.

E não há nada de errado nisso.

O problema é acreditar que a vida termina aí.

Há gente que passa décadas acumulando como se o objetivo da existência fosse chegar ao final com o maior saldo possível.

Mais dinheiro.

Mais conhecimento.

Mais contatos.

Mais poder.

Mais histórias.

Mais tudo.

Mas existe uma terceira parte da vida.

E ela não começa aos cinquenta, sessenta ou setenta anos.

Ela começa quando você entende que boa parte daquilo que chama de “seu” só existe porque, em algum momento, alguém colocou alguma coisa no seu caminho.

Alguém ensinou.

Alguém acreditou.

Alguém apresentou.

Alguém indicou.

Alguém abriu uma porta.

Alguém segurou sua mão quando você ainda não sabia caminhar sozinho.

É quando você percebe que chegou a sua vez.

Na terceira parte da vida, você retribui.

Não necessariamente para quem te deu.

Você faz o bem seguir viagem.

Ensina alguém porque um dia ensinaram você.

Abre uma porta porque alguém abriu uma para você.

Acredita em alguém antes que essa pessoa tenha provas suficientes para acreditar em si mesma.

Usa seu dinheiro para construir algo que não termina na sua conta.

Usa sua influência para colocar outras pessoas na mesa.

Usa seu conhecimento para encurtar caminhos que você precisou percorrer sozinho.

É quando você deixa de perguntar apenas:

“O que mais eu posso conquistar?”

E começa a perguntar:

“O que pode continuar existindo depois de mim?”

Porque conhecimento que termina em você é apenas acúmulo.

Dinheiro que serve somente a você é apenas patrimônio.

Influência usada apenas para benefício próprio é apenas poder.

Mas quando aquilo que você recebeu começa a melhorar a vida de outras pessoas, ganha outro nome.

Legado.

Talvez gratidão seja justamente isso.

Não devolver tudo para quem nos deu.

Mas impedir que aquilo que recebemos termine em nós.

Na primeira parte da vida, você aprende.

Na segunda, você conquista.

Na terceira, você retribui.

A primeira constrói quem você é.

A segunda mostra até onde você consegue chegar.

Mas é a terceira que explica por que valeu a pena você ter chegado.

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