Você é bom ou apenas inofensivo?

Você é bom ou apenas inofensivo?
Bondade só existe quando o mal também é uma possibilidade.
Se você não conhece a maldade, talvez não seja bom. Talvez seja apenas ingênuo.
Se nunca teve poder para ferir, talvez não seja gentil. Talvez seja apenas inofensivo.
Se nunca recebeu uma vantagem grande o bastante para trair seus princípios, talvez ainda não saiba o verdadeiro valor da sua honestidade.
Porque qualquer pessoa consegue defender valores quando eles não custam nada.
Qualquer pessoa consegue falar sobre perdão quando nunca foi profundamente ferida.
Qualquer pessoa consegue parecer equilibrada enquanto não é contrariada, humilhada ou traída.
O caráter não aparece naquilo que você diz acreditar.
Ele aparece quando fazer o certo começa a doer.
A pessoa ingênua evita o mal porque não consegue reconhecê-lo.
A pessoa covarde evita o mal porque teme as consequências.
A pessoa verdadeiramente boa reconhece o mal, entende sua força, percebe que também seria capaz de praticá-lo e, ainda assim, decide não permitir que ele a governe.
Ela sabe que poderia mentir, manipular, expor, humilhar ou devolver na mesma moeda.
Sabe onde estão as feridas.
Sabe quais palavras destruiriam.
Sabe exatamente o que fazer para que o outro sentisse a mesma dor.
Mas escolhe não fazer.
Não porque lhe falte coragem.
Porque lhe sobra consciência.
Bondade não é ausência de raiva. É o que você decide fazer com ela.
Não é falta de força. É força sob controle.
Não é desconhecer seus próprios abismos. É olhar para eles sem permitir que eles decidam quem você será.
Talvez a sua melhor versão não seja aquela que nunca conheceu a escuridão.
Talvez seja aquela que entrou nela, reconheceu tudo o que poderia se tornar e decidiu não permanecer ali.
No fim, ser bom não significa ser incapaz de fazer o mal.
Significa ser capaz, ter motivos, encontrar oportunidades e, mesmo assim, escolher não se transformar naquilo que um dia feriu você.
Porque o verdadeiro teste da bondade não acontece quando você está em paz.
Acontece quando a vida lhe entrega todas as justificativas para se tornar cruel.